quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"Laranja Mecânica" - 50 anos do clássico

A violência, principalmente envolvendo gangues, da forma que vemos hoje é retratada por Anthony Burgess no clássico "Laranja Mecânica", escrito há exatos 50 anos. O escritor inglês escreveu diversas obras de ficção e não-ficção, peças de teatro e biografias. Além de ser compositor, na qual se destaca Blooms of Dublin, versão musical de Ulysses. Foram diversas peças escritas para orquestra.
O curioso de "Laranja Mecânica" é que a obra foi escrita em um período em que Burgess foi diagnosticado com um tumor cerebral inoperável e, segundo os médicos, teria apenas um ano de vida. O autor resolveu se mudar para Hove, uma pequena cidade inglesa, e escrever o maior número de livros possíveis com o intuito de deixar sua esposa com o dinheiro dos direitos autorais. Na realidade Burgess conseguiu escrever cinco livros e meio no tempo estimado pelos médicos. Esse meio livro era o até então inacabado "Laranja Mecânica". Porém, graças a um erro médico nada aconteceu ao escritor que pôde completar o clássico que conhecemos hoje.
Obra, divida em 21 capítulos, mostra a transição da adolescência para vida adulta contextualizada na violência
Obcecado por gírias, dialetos, expressões idiomáticas, e jargões de tribos urbanas, ele concebeu o livro já com o cenário futurista que conhecemos. Ao voltar da Malásia, onde atuou como educador do Serviço Colonial, constatou uma enorme mudança cultural, em pouco espaço de tempo, com cafeterias, música pop e gangues de adolescentes.
Burgess ficou impressionado com a rivalidade de gangues de origem operária que disputavam seu espaço. O livro ambientado no futuro próximo retrata a violência adolescente em um nível tão elevado que o governo se viu obrigado a reprimi-la da mesma maneira, inclusive utilizando técnicas de Pavlov (mais conhecida como lavagem cerebral).
Outro detalhe sensacional do livro é a linguagem Nadsat,dialeto falado por Alex (personagem principal do livro) e sua turma. Preocupado com a imortalidade da obra, Burgess queria algo a mais e foi na linguagem que percebeu essa possibilidade. Em uma viagem para Moscou, o autor voltou a estudar russo e foi a partir daí que criou a linguagem nadsat, uma mistura de inglês popular com russo, cigano e gírias. Além de ter constatado que na então União Soviética havia gangues como na Inglaterra.
Muitos conhecem a adaptação para o cinema de Stanley Kubrick, que é sensacional mas não retrata tão bem a violência descrita por Anthony Burgess em sua obra-prima. Apesar de ter 50 anos de existência a obra é imortal e retrata a violência de uma maneira nua e crua, na qual o ser humano não demonstra nenhum sentimento de pena, dó, piedade ou arrependimento.
Para celebrar meio século da obra-prima, a biblioteca de John Rylands, da Universidade de Manchester, abriga a exposição sobre o escritor e seu clássico. Repleta de material cedido pela Fundação Internacional Anthony Burgess e pelo Arquivo de Stanley Kubrick, a exposição mostra manuscritos, edições raras do livro, sem contar com biografias e objetos que relembram a história e que faz analisar seu impacto e legado.



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